Um blog para mostrar as coisinhas que tenho para vender. A maioria das peças decorativas estão indisponíveis, foram doadas para associações de ajuda a animais; mas há muitos livros e ainda alguns electrodomésticos disponíveis. Estando a viver no Reino Unido vou inserir também livros em inglês com alguma frequência. Se tiverem pedidos de livros daqui contactem-me. Contacte virginia.kali@gmail.com
Quinta-feira, 17 de Março de 2011
Costa - o cão mais fofo e leal do mundo
Amigos/as,
Há momentos na vida em que o desespero e a impotência são tão grandes que nem dormir descansado se consegue. Soube há dias uma coisa que me tem tirado o sono. O Costa, o cão de quem fui família de acolhimento temporário durante meses, o cão da minha vida, está em hotel.
Sim, eu sei que não é uma tragédia tão grande quanto os animais que andam nas ruas a sofrer e a passar fome, mas têm de perceber que o Costa é especial. É um cão que PRECISA de gente, precisa de ter sempre alguém perto. Não é um cão que pede colo, que se enrosca nas nossas pernas a todo o momento, nem chama a atenção, mas precisa de poder olhar para alguém.
No dia em que o Costa chegou a minha casa eu não sabia o quanto a minha vida ia mudar. Afinal, ia apenas ser família de acolhimento temporário de um cão, só tinha de cuidar dele durante umas semanas. Mas a verdade é que até ao fim do dia eu estava completamente apaixonada. O Costa é um velhote de pêlo preto e um focinho tão único que parece pintado. Parece ter uma máscara clara posta por cima do pêlo preto e o olhar é tão tristonho e doce que é impossível não nos derretermos. Parece contar-nos a história da sua vida no olhar, e carrega uma tristeza tão grande que é impossível não o querer acarinhar.
Contou-me com o olhar que foi abandonado por quem o tinha tido como companheiro fiel durante muito tempo. Contou-me que a dor de ser abandonado lhe partiu o coração de tal modo que ele deixou de querer comer, de querer viver… E que se não tivesse sido salvo tinha morrido ali, á espera que esse dono de coração frio voltasse. Mas houve uma coisa que esse dono não conseguiu destroçar, a capacidade de amar. Via-se no olhar carente, no ganido a pedir atenção, no choro insuportável quando ficava sozinho, e no facto de se entregar totalmente a mim.
Vivemos meses de amor companheiro, de momentos perfeitos, e no final da primeira semana eu já sabia que ia ser difícil deixá-lo ir mas não consegui resistir.
Eu sabia que íamos ter de nos separar, porque vinha viver para o Reino Unido dentro de meses. Tentei outros caminhos, procurei soluções mas a verdade é que o Reino Unido tem regras muito rígidas em relação á saúde dos animais e o Costa tem uma doença crónica que impediria que ele viesse comigo (mas que só envolve medicação). Sei que foi melhor para ele ficar, não sei se conseguiria viver comigo mesma se ele tivesse morrido por causa da viagem; ou depois por causa do frio que faz aqui. Mas não foi ele quem sofreu mais. Na verdade ele ficou com as pessoas que o salvaram e por isso ficou bem, apesar de não conseguir esquecê-lo.
Mas agora que sei que ele está num hotel, estou desesperada. Não há outra palavra para descrever o que sinto. Imaginar o meu velhote sozinho, a ganir as noites inteiras, faz com que, por muito bom que seja o hotel, eu vos venha pedir ajuda.
Não posso voltar agora para Portugal, mas preciso de fazer alguma coisa pelo Costa.
Por isso é que vos pergunto: há alguém por aí que possa acolher o Costa como família de acolhimento temporário ou como adopção responsável para o resto da vida deste cão espectacular?
O que ele precisa? De amor, muito amor e de alguém que esteja muito tempo em casa ou que tenha sempre gente em casa (odeia ficar sozinho). Os passeios que dá, apesar de adorar estar na rua, podem ser curtos ou em passo vagaroso, porque como é velhote ás vezes cansa-se. Mas não é um velho no mau sentido, tem muita alegria e energia na maioria das vezes. Ele toma medicação diária mas nada de complicado ou caro.
Penso que há possibilidades da Pravi (associação na qual ele está) apoiar os tratamentos veterinários (se forem apenas família de acolhimento temporário a responsabilidade do pagamento dos tratamentos é toda deles), e se necessário também estou disposta a ajudar quando necessário, com alimentação e medicação. Se o problema for apenas a distância, também se há-de arranjar alguma coisa para o levar para outro lado. Ele de momento está na zona de Loures.
Dá-se bem com outros cães, e não é agressivo, muito pelo contrário.
Eu não consigo imaginar o meu velhote sozinho. Alguém me ajuda?
Obrigada a todos pela paciência,
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